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> História da FEB
1ºTen.Macabet
post Aug 1 2009, 06:17 PM
Post #1


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Força Expedicionária Brasileira

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A Força Expedicionária Brasileira, conhecida pela sigla FEB, foi a força militar brasileira de 25.334 homens que lutou ao lado dos Aliados na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial. Constituída inicialmente por uma divisão de infantaria, acabou por abranger todas as forças militares brasileiras que participaram do conflito. Adotou como lema "A cobra está fumando", em alusão ao que se dizia à época que era "mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na guerra".

ÍNDICE

* 1 Contexto histórico
* 2 Campanha
* 3 Participação da Força Aérea Brasileira na Campanha da Itália
* 4 Participantes da FEB
* 5 Ligações da FEB com Unidades Militares atuais
* 6 Associação dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira
* 7 Lista de batalhas
* 8 Detalhes sobre a Campanha
* 9 Canção do expedicionário
* 10 Ver também
* 11 Referências
* 12 Ligações externas

Propaganda da guerra brasileira

Em 1939, com o início da Segunda Guerra Mundial, o Brasil manteve-se neutro, numa continuação da política do presidente Getúlio Vargas de não se definir por nenhuma das grandes potências, somente tentando se aproveitar das vantagens oferecidas por elas. Tal "pragmatismo" foi interrompido quando no início de 1942, quando os Estados Unidos convenceram o governo brasileiro a ceder a ilha de Fernando de Noronha e a costa nordestina brasileira para o recebimento de suas bases militares. À partir de janeiro do mesmo ano começa uma série de torpedeamentos de navios mercantes brasileiros por submarinos ítalo-alemães na costa litorânea brasileira, numa ofensiva idealizada pelo próprio Adolf Hitler, que visava isolar o Reino Unido, o impedindo de receber os suprimentos (equipamentos, armas e matérias-prima) exportados do continente americano, como consta nos diários de Joseph Goebbels, suprimentos estes vitais para o esforço de guerra aliado e que, sabiam que os alemães iriam abastecer à partir de 1942, pelo Atlântico norte, principalmente a então União Soviética.

Tinha também por objetivo a ofensiva submarina do eixo em águas brasileiras intimidar o governo brasileiro a se manter na neutralidade, ao mesmo tempo que seus agentes no país e simpatizantes fascistas brasileiros, pejorativamente denominados pela população pela alcunha de Quinta coluna, espalhavam boatos que os afundamentos de navios mercantes seriam obra dos anglo-americanos interessados em que o país entrasse no conflito do lado aliado.

No entanto, a opinião pública não se deixou confundir, comovida pelas mortes de civis e instigada também pelos pronunciamentos provocativos e arrogantes, emitidos pela Rádio de Berlim, passou a exigir que o Brasil reconhecesse o estado de beligerância com os países do eixo. O que só foi oficializado em 22 de agosto do mesmo ano, quando foi declarada guerra à Alemanha nazista e a Itália fascista. Após a qual, diante da contínua passividade do então governo, a mesma opinião pública passa a se mobilizar para o envio à Europa de uma força expedicionária como contribuição à derrota do fascismo.

Porém só quase dois anos depois, em 2 de julho de 1944, teve início o transporte do primeiro escalão da Força Expedicionária Brasileira, sob o comando do general João Batista Mascarenhas de Morais, com destino à Nápoles. As primeiras semanas foram ocupadas se aclimatando ao local, assim como recebendo o mínimo equipamento e treinamento necessário, sob a supervisão do comando estadunidense, ao qual a FEB estava subordinada, já que a preparação no Brasil demonstrou ser deficiente[1], apesar dos quase 2 anos de intervalo entre a declaração de guerra e o envio das primeiras tropas a frente.

Os brasileiros constituíam uma das vinte divisões aliadas presentes na frente italiana naquele momento, uma verdadeira torre de Babel, constituída por estadunidenses (incluindo as tropas segregadas da 92ª divisão, formada por afro e nipo-descendentes, comandadas por oficiais brancos), italianos antifascistas, exilados europeus (poloneses, tchecos e gregos), tropas coloniais britânicas (canadenses, neozelandeses, australianos, sul-africanos, indianos, quenianos, judeus e árabes) e francesas (marroquinos, argelinos e senegaleses), em uma diversidade étnica que muito se assemelhava à da frente francesa em 1918.

A FEB foi integrada ao 4º corpo do exército estadunidense, sob o comando do general Willis D. Crittemberger, este por sua vez adscrito ao V exército dos Estados Unidos, comandado pelo general Mark W. Clark.

Oficiais militares brasileiros em Monte Castello

A FEB entrou em combate em meados de setembro de 1944 no vale do rio Serchio, ao norte da cidade de Lucca. As primeiras vitórias da FEB ocorreram já em setembro, com as tomadas de Massarosa, Camaiore e Monte Prano. Só no final de outubro, na região de Barga, a FEB sofreu seus primeiros reveses. Devido ao sucesso da campanha em setembro e início de outubro, no final de novembro a FEB foi incumbida de sozinha tomar o complexo formado pelos montes Castello, Belvedere e seus arredores, no espaço de alguns dias. Seu comandante alertou ao comando do V exército estadunidense que tal missão era inviável de ser executada pelo efetivo de apenas uma divisão, o que já havia sido demonstrado em tentativas fracassadas por parte de outros efetivos aliados, e que para obter sucesso em tal empreitada seria necessário o ataque conjunto de duas divisões simultaneamente à Belvedere, Della Torraccia, Monte Castello e à Castelnuovo[2] o que, mesmo assim, alertava o comando brasileiro, não poderia ser levado a cabo em menos de uma semana. No entanto, o argumento do comandante brasileiro só foi aceito após o fracasso de mais duas tentativas, desta vez efetuadas pelos brasileiros, uma em novembro e outra em dezembro.

Durante o rigoroso inverno entre 1944 e 1945, nos Apeninos a FEB enfrentou temperaturas de até vinte graus negativos, não contando a sensação térmica. Muita neve, umidade e contínuos ataques de caráter exploratório por parte do inimigo, que através de pequenas escaramuças procurava tanto minar a resistência física, quanto a psicológica das tropas brasileiras, não acostumadas as baixas temperaturas. Condições climáticas e reações físicas que somavam aos mais de três meses de campanha ininterrupta, sem pausa para recuperação[3], como também testar possíveis pontos fracos no setor ocupado pelos brasileiros para uma contra-ofensiva no inverno. Entretanto, neste aspecto, a atitude involuntariamente agressiva das duas tentativas de tomar Monte Castello no final de 1944, somada à atitude voluntária de responder às incursões exploratórias do inimigo no território ocupado pela FEB, com incursões exploratórias da FEB realizadas em território inimigo, fez com que os alemães e seus aliados escolhessem outro setor da frente italiana, ocupada pela 92ª divisão estadunidense, para sua contra-ofensiva.

Entre o fim de fevereiro e meados de março de 1945, como havia sugerido o comandante da FEB, se deu a Operação Encore, um avanço em conjunto com a recém-chegada 10ª divisão de montanha estadunidense. Assim, foram finalmente tomados, entre outras posições, por parte dos brasileiros, Monte Castello e Castelnuovo, enquanto os americanos tomavam Belvedere e Della Torraccia. Com estas posições no poder dos Aliados, pode-se iniciar a ofensiva final de primavera, na qual em abril a FEB tomou Montese e Collecchio. A conquista de posições pelas tropas brasileiras somadas às obtidas pela divisão de montanha estadunidense neste setor secundário, mas vital, possibilitou que as forças sob o comando do VIII exército britânico, mais à leste no setor principal da frente italiana, se vissem finalmente livres do fogo de artilharia inimiga, que partia daqueles pontos, podendo assim avançar sobre Bolonha e rompendo a Linha Gótica, após oito meses de combate.
O general alemão Otto Freter-Pico se entregando a FEB

Era a fase final da ofensiva de primavera na frente italiana. Em Fornovo di Taro, com uma manobra perfeita em uma jogada ousada de seu comandante, os efetivos da FEB que se encontravam naquela região em inferioridade numérica se cercaram e após combates oriundos da infrutífera tentativa de rompimento do cerco por parte do inimigo seguidos de rápida negociação, conseguiram a rendição de duas divisões inimigas, a 148ª divisão de infantaria alemã, comandada pelo general Otto Freter-Pico e os efetivos remanescentes da divisão bersaglieri italiana, comandada pelo general Mario Carloni. Isso impediu que essas divisões, que se retiravam da região de La Spezia e Gênova, que haviam sido liberada pela 92ª divisão estadunidense, se unissem às forças ítalo-alemãs da Ligúria, que as esperavam para desfechar um contra-ataque contra as forças do V exército americano, que avançavam, como é inevitável nestas situações, de forma rápida, porém difusa e descordenada, inclusive do apoio aéreo, tendo deixado vários clarões em sua ala esquerda e na retaguarda. Muitas pontes ao longo do rio Pó foram deixadas intactas pelas forças nazi-fascistas com esse intento. O comando dos exércitos C alemão, que já se encontrava em negociações de paz em Caserta há alguns dias com o comando Aliado na Itália, esperava com isso obter um triunfo afim de conseguir melhores condições para rendição. Os acontecimentos em Fornovo di Taro involuntariamente impediram a execução de tal plano tanto pelo desfalque de tropas, como pelo atraso causado, o que aliado às notícias da morte de Hitler e tomada final de Berlim pelas forças do Exército Vermelho, não deixou ao comando alemão outra opção senão aceitar a rápida rendição de suas tropas na Itália[4]. Em sua arrancada final, a FEB ainda chegou a cidade de Turim, e em 2 de maio de 1945, na cidade de Susa, onde fez junção com as tropas francesas na fronteira franco-italiana.

O Brasil perdeu nesta campanha mortos diretamente em combate, cerca de quatrocentos e cinquenta praças e treze oficiais, além de oito oficiais-pilotos da Força Aérea Brasileira. A divisão brasileira ainda teve cerca de duas mil mortes devido a ferimentos de combate e mais de doze mil baixas em campanha por mutilação ou outras diversas causas que os incapacitaram para o combate. Tendo assim, somadas as substituições, turnos e rodízios, dos cerca de vinte e cinco mil homens enviados, mais de vinte e dois mil participaram das ações[5]. O que, incluso mortos e incapacitados, deu uma média de 1,7 homens usados para cada posto de combate, um grau de aproveitamento apreciável se comparado à outras divisões que estiveram o mesmo tempo em campanha em condições semelhantes.
Cemitério dos soldados brasileiros mortos em serviço, localizado em Pistoia, na Itália

Em 6 de junho de 1945, o Ministério da Guerra do Brasil ordenou que as unidades da FEB ainda na Itália se subordinassem ao comandante da primeira região militar (1ª RM), sediada na cidade do Rio de Janeiro, o que, em última análise, significava a dissolução do contingente.

Em 1960, as cinzas dos brasileiros mortos na campanha da Itália foram transladadas de Pistoia para o Brasil, e hoje jazem no monumento aos mortos que foi erguido no Aterro do Flamengo, zona sul da cidade do Rio de Janeiro, em homenagem e lembrança aos sacrifícios dos mesmos.

Ao final da campanha, a FEB havia aprisionado mais de vinte mil soldados inimigos, quatroze mil, setecentos e setenta e nove só em Fornovo di Taro, oitenta canhões, mil e quinhentas viaturas e quatro mil cavalos. Mesmo com sua desmobilização relâmpago, o regresso da FEB após o final da guerra contra o fascismo precipitou a queda de Getúlio Vargas e o fim do Estado Novo no Brasil.

Participação da Força Aérea Brasileira na Campanha da Itália

Sumário estatístico:
Total das Operações [6] Total de missões executadas 445
Total de saídas ofensivas 2.546
Total de saídas defensivas 4
Total de horas de vôo em operações de guerra 5.465
Total de horas de vôo realizadas 6.144
Total de bombas lançadas 4.442
Bombas incendiárias (FTI) 166
Bombas de fragmentação (260 lb) 16
Bombas de fragmentação (90 lb) 72
Bombas de demolição (1000 lb) 8
Bombas de demolição (500 lb) 4.180
Total aproximado de tonelagem de bombas 1.010
Total de munição calibre 50 1.180.200
Total de foguetes lançados 850
Total de litros de gasolina consumida 4.058.651
Total das Operações [6] Destruídos Danificados
Aviões 2 9
Locomotivas 13 92
Transportes motorizados 1.304 686
Vagões e carros tanques 250 835
Carros blindados 8 13
Viaturas de tração animal 79 19
Pontes de estradas de ferro e de rodagem 25 51
Pontes em estradas de ferro e de rodagem 412 –
Plataformas de triagem 3 –
Edifícios ocupados pelo inimigo 144 94
Acampamentos 1 4
Postos de comando 2 2
Posições de artilharia 85 15
Alojamentos 3 8
Fábricas 6 5
Instalações diversas 125 54
Usinas elétricas 5 4
Depósitos de combustível e munição 31 15
Depósitos de material 11 1
Refinarias 3 2
Estações de radar – 2
Embarcações 19 52
Navios – 1

Participantes da FEB
Homenagem aos pracinhas brasileiros na Segunda Guerra, em Belo Horizonte.

Serviram na Força Expedicionária Brasileira pessoas dos mais variados extratos sociais. Alguns, nos anos seguintes desempenhariam diretamente papéis de destaque na vida política, social e cultural brasileira. Outros, indiretamente como pais, educadores ou profissionais, que em suas respectivas áreas influenciaram por aceitação ou oposição personalidades das gerações posteriores. Citamos por ordem alfabética alguns dos seguintes nomes:

* Albuquerque Lima - Ministro do Interior entre 1967 e 1969.
* Antônio Matogrosso Pereira - Militar de carreira do exército e pai do cantor e showman Ney Matogrosso.
* Celso Furtado - Intelectual e economista da CEPAL, criador da SUDENE e Ministro do Planejamento no governo João Goulart.
* Clarice Lispector - Escritora, como voluntária no corpo de enfermeiras da FEB.
* Golbery do Couto e Silva - Ministro da Casa Civil entre 1974 e 1981.
* Hugo Abreu - Ministro da Casa Militar entre 1974 e 1978.
* Humberto de Alencar Castello Branco - Presidente do Brasil entre 1964 e 1967.
* Jacob Gorender - Escritor, militante político e um dos fundadores do PCBR.
* Octavio Costa - Idealizador das campanhas publicitárias do Regime Militar no período Médici.
* Osvaldo Cordeiro de Farias - Governador de Pernambuco entre 1955 e 1959.
* Perácio - Jogador de futebol carioca, nacionalmente famoso nos anos de 1940.
* Poli - Músico profissional, já reconhecido no meio artístico quando convocado. Multinstrumentista que influenciou nomes da MPB nos anos de 1960.
* Salomão Malina - Presidente nacional do PCB entre 1987 e 2001.

Unidades Militares da FEB

* 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária;
* Companhia do Quartel General
* Banda de Música Divisionária;
* 9º Batalhão de Engenharia; (Primeiro a entrar em ação)
* 1º Regimento de Infantaria;
* 6º Regimento de Infantaria;
* 11º Regimento de Infantaria;
* 1º Esquadrão de Reconhecimento;
* Pelotão de Polícia;
* 1º Batalhão de Saúde;
* 1ª Companhia de Transmissões;
* 1ª Companhia Leve de Manutenção
* 1ª Companhia de Intendência;

Artilharia Divisionária

* Bateria de Comando da Artilharia Divisionária Expedicionária;
* I Grupo Obuses 105;
* II Grupo de Obuses 105;
* III Grupo Obuses 105;
* IV Grupo de Obuses 155;
* 1º Grupo de Aviação de Caça;
* 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação;


VITÓRIAS DA FEB
Mazzarozza 18.08.1944
Camaiore 18.09.1944
Monte Prano 26.09.1944
Fornacci 06.10.1944
Galicano 07.10.1944
Barga 11.10.1944
San Quirino 30.10.1944
Monte Cavalloro 16.11.1944
Monte Castelo 21.02.1945
S. Maria Villiana 04.03.1945
Castelnuovo 05.03.1945
Montese 14.04.1945
Paravento 15.04.1945
Monte Maiolo 19.04.1945
Riverla 20.04.1945
Zocca 21.04.1945
Formigine 23.04.1945
Collecchio 27.04.1945
Castelvetro 28.04.1945
Fornovo 28.04.1945

Os Herois


2º Sargento Max Wolff Filho
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Eu vi morrer o Sargento Wolff

O relato de Joel Silveira sobre a morte de um dos maiores heróis
da FEB, o Sargento Max Wolff Filho, em missão de patrulha na Itália.

Vi perfeitamente quando a rajada de metralhadora rasgou o peito do Sargento Max Wolff Filho. Instintivamente ele juntou as mãos sobre o ventre e caiu de bruços. Não se mexeu mais. O Tenente Otávio Costa, que estava ao meu lado no Posto de Observação, apertou os dentes com força, mas não disse uma palavra. Quando lhe perguntei se o homem que havia tombado era o Sargento Wolff, ele balançou afirmativamente com a cabeça.

Menos de uma hora antes eu estivera conversando com o sargento. Creio que foi a mim que ele fez suas últimas confidências. Falou-me de sua filha, uma menina de dez anos de idade, que ficou no Brasil. Disse-me que era viúvo e deu-me notícias de que sua promoção a segundo-tenente, por ato de bravura, não tardaria a chegar. E como eu estava recolhendo mensagens entre os homens de seu Pelotão de Choque, já formados para a patrulha de minutos depois, o Sargento Max Wolff pediu-me que também enviasse uma sua. Estão comigo as poucas linhas que sua letra delicada e certa escreveu no meu caderno de notas: “Aos parentes e amigos: Estou bem. À minha querida filhinha: Papai vai bem e voltará breve”.

Tenho ainda nos ouvidos, muito vivas, as últimas palavras que escutei do sargento. Um dos soldados lhe pedira uma faca, e ele respondeu, sorrindo:

- Voi non bisogna faca. Tedesco não é frango.

O sargento saiu com seus homens pelas sebes e ravinas da direita, e nós seguimos para as montanhas do norte, defronte ao ponto que a patrulha deveria atingir. Vimos quando os homens apontaram na terra de ninguém e seguiram cautelosos pela estrada deserta. O sargento havia transformado seus pentes de munição num colar que o sol incendiava. Levava o capacete de aço debaixo do braço e a pequena Thompson apontada para a frente. Nossa artilharia, à esquerda, cessara de atirar, e agora era um silêncio total. O Tenente Otávio Costa me disse:

- Não é possível que os alemães estejam ali.

O primeiro objetivo da patrulha eram as três casas, a menos de um quilômetro de nós e que os homens do Sargento Wolff atingiram às duas horas da tarde. O grupo cercou os três edifícios arruinados, e o sargento empurrou com o pé a porta de uma delas. Vimos quando ele entrou e fez um sinal para seus homens: novamente as duas fileiras espaçadas voltaram a caminhar pelos campos proibidos. Fazia um sol muito claro e alguma coisa – uma vidraça partida ou um esqueleto de munição – cintilava forte nas ruínas de Montese.

As duas e meia da tarde, a patrulha estava a menos de 100 metros do último objetivo a ser atingido: um novo grupo de casas sobre uma lombada macia. O Sargento Wolff deu seus últimos passos à frente. Então uma gargalhada curta e nervosa encheu o silêncio do vale e o Sargento Wolff caiu de bruços sobre a grama. Os outros homens se agacharam, rápidos, e os alemães começaram a atirar, bloqueando nossos homens com uma chuva de granadas de mão e rajadas de metralhadoras. Sacudiram depois para o ar foguetes iluminativos, pedindo fogo de suas baterias, e minutos depois os projéteis da artilharia nazista assobiavam sobre nós e iam explodir no caminho percorrido pela patrulha.

O Tenente Otávio Costa indicou posições aos nossos morteiros, e durante mais de uma hora o duelo continuou, um diálogo de fogo. Nossos morteiros rebentavam dois quilômetros além, onde possivelmente estariam localizadas as baterias nazistas, e os obuses alemães rebentavam perto, no chão onde nossos homens continuavam agachados ou nas fraldas do morro onde estávamos com o Posto de Observação. De vez em quando uma rajada de metralhadora cortava o ar, como um vento mau, e ia inquietar os galhos das árvores próximas. Foi um desses leques que raspou nossas cabeças e nos jogou para dentro de um buraco, onde ficamos perto de uma hora. Levantávamos de vez em quando até o parapeito da trincheira, mas os morteiros só davam folga de segundos: escutávamos seu assovio na distância, e voltávamos a nos espremer nos foxholes antes que a exclusão tremesse a terra.

Quando a noite caiu, conseguimos, rastejando, deixar as posições batidas e alcançar as trincheiras da retaguarda. Chegamos ao P.C. do Batalhão perto das dezenove horas. Minutos depois voltavam também os homens da patrulha do Sargento Max Wolff Filho. Mas ele ficara lá. Quando nossos padioleiros foram até a terra de ninguém, recolher os corpos e os feridos, os nazistas os receberam com rajadas impiedosas.

Muitos dos homens que voltaram tinham os olhos rasos d’água. Um deles era o Segundo-Sargento Nilton José Facion, de São João del-Rei, em Minas Gerais, que me contou essa história:

- Eu estava a uns trinta metros de Wolff quando ele foi atingido. O soldado Alfredo Estevão da Silva, que ia na frente, virou-se para mim e disse: “Parece que Wolff está morto. Vou puxar o corpo para cá” .Respondi que ia atrás dele. Mas uma rajada matou também o pracinha Estevão antes que ele pudesse fazer qualquer coisa. Chegou a minha vez e consegui arrastar o corpo do sargento até uns trinta metros. Depois veio a chuva de morteiros, e não pude fazer mais nada.

O Sargento Alfeu de Paula Oliveira (ele também enxugava os olhos úmidos com a manga da blusa) me levou depois ao estreito compartimento onde Wolff tinha suas coisas: ali estava a condecoração que o General Truscott colocara no seu peito, poucos dias antes, a citação elogiosa do General Mascarenhas; o retrato da filhinha, de olhos vivos e brilhantes como os do seu pai. Tudo agora muito desgarrado. “Este foi um dia triste para nosso Batalhão”, me disse o Major Manuel Rodrigues Carvalho Lisboa. “Nós perdemos um bravo”.

Destacou-se por sua bravura no decorrer da Guerra, tornando-se conhecido pelo seu destemor, intrepidez e abnegação. Suas façanhas eram proclamadas pelas partes de combate e por vários correspondentes de guerra das imprensas nacional e estrangeira. No dia 12 de abril de 1945, o 11º RI recebeu a missão de reconhecer a região de Monte Forte e Biscaia, a denominada “terra de ninguém”. O sargento Wolff foi voluntário para comandar a patrulha de reconhecimento, que foi constituída por 19 militares que se haviam destacado por competência e bravura em outros combates.

Nessa missão, foi fatalmente atingido por uma rajada de metralhadora alemã, que o atingiu na altura do peito. Somente vários dias após seu passamento o corpo do sargento Max Wolff Filho foi encontrado. Foi agraciado post mortem com as medalhas de Campanha de Sangue e Cruz de Combate, do Brasil; e com a medalha Bronze Star, dos Estados Unidos da América. Foi sepultado no Cemitério Militar Brasileiro, em Pistóia, na Itália; posteriormente, seus restos mortais foram trasladados para o Brasil. Em sua homenagem, a Escola de Sargentos das Armas (EsSA) leva seu nome como patrono.


Tenente Apollo

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Em 12/12/1944 em Monte Castelo, comandando seu pelotão, o Ten Apollo conquistou importante posição alemã, após violenta batalha. Pela bravura demonstrada nessa ação, o Ten Apollo foi agraciado com a Medalha "Silver Star", pelo alto comando americano. Entretanto, o Ten Apollo viria a demonstrar, novamente, sua coragem, determinação e desprendimento quando em 24/2/1945, conquistou La Serra, à frente de seu pelotão, atravessando extenso campo minado e sob pesada resistência inimiga.

Ferido e em posição vulnerável, conseguiu suportar os contra-ataques dos alemães e, apesar do poder de fogo inimigo, logrou repeli-los e ainda infligir-lhes severas baixas. Por essa magnífica atuação, o Ten Apollo, já no hospital de campanha, ouviu pela rádio BBC de Londres a seguinte notícia: " O Comando Aliado na Itália resolveu louvar um Oficial da Força Expedicionária Brasileira pelos seguintes motivos: cada ação em combate é um pretexto para evidenciar suas belas qualidades de soldado e sua excelência no comando do pelotão, conduzindo a sua tropa ao objetivo com o exemplo da sua própria coragem.

Conquistou La Serra, em cujas ruínas se manteve até ser evacuado algumas horas depois de gravemente ferido,lutando ainda. Sua posição estava cercada de metralhadoras inimigas, a esquerda, à frente e a direita, seis ao todo, as mais próximas distavam cerca de 15 metros do objetivo alcançado e as mais afastadas, 80 metros.Suportou contra-ataques e esteve cercado durante quase toda a primeira noite. Fez cinco prisioneiros. Ferido em combate às 23 horas do dia 23, só pôde ser evacuado na manhã seguinte, às 10 horas, devido ao intenso bombardeio da artilharia e morteiros a que estava sujeita a posição.

Sua audácia em marchar para o objetivo fixado, que sabia fortemente defendido, completou-se com a decisão de manter o objetivo conquistado. Mesmo ferido, contra-atacado e cercado, em momento algum pensou em retrair. Revelou bravura, firmeza e acerto de decisão, excepcional calma em presença do inimigo, exata noção dos seus deveres em combate, a par de elevado sentimento de honra militar e superior capacidade de sacrifício".

Foi condecorado com a Medalha de Campanha, Cruz de Combate de 1º classe, Medalha de Sangue do Brasil e Medalha de Guerra, do Governo Brasileiro.
Busto no pátio
do CPOR/RJ

Em virtude de sua destacada ação na batalha de La Serra, o Ten Apollo recebeu do Governo dos Estados Unidos a Medalha "Cruz de Serviços Notáveis", considerada uma das mais importantes condecorações americanas. O nosso homenageado o maior herói da FEB, na condição de Oficial R/2, foi um dos poucos combatentes, em todo o mundo, distinguido com tão importante condecoração.

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FONTES:
Exercito Brasileiro
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Wikipedia
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ANVFEB
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CAP. PIER
post Aug 1 2009, 10:39 PM
Post #2


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Muito Bom,mesmo......parabéns......
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CB. paulinhospee...
post Aug 1 2009, 11:38 PM
Post #3


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Gostei tanto do post quanto da história de uma batalha q o brasil participo.
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3ºSgt. Ma7ad0r
post Aug 10 2009, 02:31 PM
Post #4


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Parabéns! é muito bom saber essascoisasa!!
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SD. ZAAG
post Aug 11 2009, 10:27 AM
Post #5


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Bem legal!!!!!
Parabèns...
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